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MASão Luís (MA)

Itaqui movimentou 36,8 milhões de toneladas em 2025; o maior terminal de São Luís, da Vale, foi outro

O porto público de São Luís (MA) bateu recorde em 2025, mas 88% das toneladas exportadas pela cidade vêm do Pará. Por que navios grandes vão lá e o que fica no Maranhão?

7 min de leitura11 fontes

36,8 mi tmovimentadas pelo Porto do Itaqui em 2025, recorde, segundo a Antaq

Pórtico azul com a inscrição Porto do Itaqui, o caminho do desenvolvimento do Maranhão, sobre a entrada do porto, com guindastes e um navio ao fundo
Pórtico de entrada do Porto do Itaqui, em São Luís (MA), em 2007 · Luiz Felipe Sousa Oliveira (LF50) / Wikimedia Commons, domínio público

O Porto do Itaqui, em São Luís (MA), movimentou 36,8 milhões de toneladas em 2025, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Segundo a administradora, a EMAP, é o maior volume da história do porto. Pela Antaq, é o 4º entre os portos públicos do país. Na mesma baía, porém, um terminal privado da Vale movimentou 172,4 milhões de toneladas no mesmo ano, 4,7 vezes mais (cálculo nosso). Por que navios grandes vão até São Luís? E o que fica no Maranhão de tanta carga?

Três terminais, uma baía

O Itaqui é um porto público, administrado pela Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), empresa pública do governo do estado. Ao lado ficam dois terminais privados: Ponta da Madeira, da Vale, e o da Alumar. A EMAP diz que os três formam o maior complexo portuário da América Latina em movimentação de cargas; não encontramos ranking latino-americano que confirme.

Na lista brasileira da Antaq, Ponta da Madeira foi em 2025 a instalação que mais movimentou carga, à frente de Santos. O Itaqui ficou em 9º entre todas as instalações, públicas e privadas, e em 4º entre as públicas, atrás de Santos, Paranaguá e Itaguaí. Os dois vizinhos somam mais de 209 milhões de toneladas (cálculo nosso).

Movimentação de cargas em 2025 (milhões de toneladas, instalações selecionadas)

  1. Ponta da Madeira (Vale)172,4 mi t
  2. Santos142,8 mi t
  3. Paranaguá66,4 mi t
  4. Itaguaí62,8 mi t
  5. Itaqui36,8 mi t
  6. Rio Grande31,6 mi t

Fonte: Antaq, Desempenho Aquaviário 2025

A diferença está no que cada um carrega. Pela tabela da EMAP, o Itaqui não movimentou minério de ferro em 2025. O de Carajás sai pelo terminal da Vale, que, segundo o manual da EMAP, é desde 2014 o maior terminal privado do país em carga e embarca navios Valemax de 400 mil toneladas.

Estruturas de carregamento de navios na margem da baía, vistas de longe, sob céu carregado
Terminal de Ponta da Madeira, da Vale, visto da baía em 2012, segundo o autor; não é o ItaquiMarcos Soares / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

O cais do Itaqui só entrou em operação em 1972, segundo a EMAP; o berço mais recente, o 99, entrou em operação em 2022.

Praia de areia com mata, uma casa no morro e uma palhoça, em foto sépia
Área do atual Porto do Itaqui em 1908, segundo o arquivoGaudêncio Rodrigues da Cunha / Wikimedia Commons, domínio público

O que o Itaqui carrega

Pela tabela histórica da EMAP, em 2025 os granéis sólidos foram 70% da carga (25,9 milhões de t), os líquidos, 25% (9,2 milhões), e a carga geral, 5% (1,8 milhão); os percentuais são cálculo nosso. A soja sozinha somou 16,0 milhões de toneladas, cerca de 43% do total. Vieram depois os derivados de petróleo, os fertilizantes (4,6 milhões), o milho (2,8 milhões) e a celulose (1,7 milhão). Em resumo, segundo a EMAP, o porto exporta soja e milho e recebe diesel, gasolina e fertilizantes.

Soja movimentada pelo Porto do Itaqui (milhões de toneladas)

  1. 20010,6 mi t
  2. 20102,1 mi t
  3. 20155,0 mi t
  4. 20208,6 mi t
  5. 202516,0 mi t

Fonte: EMAP, histórico de movimentação 2001 a 2025

Na conta da Antaq, só a exportação de milho e soja pelo Itaqui somou 18,8 milhões de toneladas em 2025: a 3ª maior entre as instalações que ela destaca, atrás de Santos (42,1) e de Paranaguá (19,7), e cerca de um terço (cálculo nosso) dos 56,5 milhões exportados pelo Arco Norte. Os fertilizantes saltaram de 0,2 milhão de t, em 2001, para 4,6 milhões, em 2025.

Vagões carregados de lingotes de alumínio empilhados, num pátio com palmeiras e um galpão ao fundo
Lingotes de alumínio em vagões no Itaqui, em 2007; em 2025 o porto movimentou 32,7 mil t de alumínio (EMAP)marcusrg / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

Por que os navios grandes vão a São Luís

Segundo a EMAP, o canal de acesso tem 101 km, profundidade de 23 metros, largura limitante de 500 metros e calado máximo autorizado de 22,3 metros. Os nove berços têm de 12 a 19 metros. O maior, o 106, recebe navios de até 210 mil toneladas de porte bruto (DWT), com 280 metros e calado de 18,5 metros; os berços 99 a 104 aceitam de 80 mil a 100 mil. Os Valemax de 400 mil toneladas carregam no terminal da Vale, segundo a EMAP, não no Itaqui.

A maré é parte do desenho: o manual da EMAP registra amplitude média de 4,6 metros, de até 7,2 nas marés de sizígia, e reserva dois ancoradouros a navios com calado acima de 20 metros que esperam a maré para sair do canal.

É "o porto mais fundo do Brasil"? Não encontramos fonte oficial que compare a profundidade dos portos, e por isso não repetimos a frase. Como referência, o canal de Santos tem profundidade oficial de 15 metros, até 16 na maré alta, segundo a Agência iNFRA (junho de 2025).

A outra metade da resposta é a ferrovia. A EMAP lista a Estrada de Ferro Carajás (892 km, de Carajás, no Pará, a São Luís), a Transnordestina e a ligação com a Ferrovia Norte-Sul, via Açailândia. Segundo a empresa, a posição encurta em até 6 dias o percurso até os mercados norte-americano e europeu, em relação aos portos do Sul e do Sudeste; não conferimos esse número.

O que fica no Maranhão

Uma coisa é onde a carga embarca; outra, de onde ela vem. Pelo Comex Stat, do governo federal, a unidade da Receita Federal de São Luís, cujos volumes de minério, soja e milho batem com os do complexo, despachou 195,6 milhões de toneladas de exportações em 2025, no valor de US$ 24,9 bilhões (dólares correntes, FOB). Pela UF de origem, 88,2% das toneladas vieram do Pará, em sua quase totalidade minérios, principalmente o de ferro. O Maranhão respondeu por 5,7% das toneladas e 18,0% do valor, ou US$ 4,5 bilhões (percentuais: cálculo nosso).

Produto exportado por São Luís, 2025 Milhões de t US$ bilhões US$ por t (cálculo nosso)
Minérios 171,3 15,4 90
Soja e outras oleaginosas 15,9 6,4 403
Milho e outros cereais 2,8 0,56 200
Todos os produtos (inclui outros) 195,6 24,9 128

Tonelagem e valor contam histórias diferentes: o minério é 88% do peso e 62% do valor; a soja pesa 8% e vale 26% (cálculo nosso).

Na soja, o Maranhão é origem de cerca de um terço. Das 15,9 milhões de toneladas de oleaginosas despachadas em São Luís, 5,0 milhões tiveram origem no estado; o resto veio de Tocantins, Mato Grosso, Piauí, Pará e Bahia. No milho, foram 0,34 milhão de 2,8 milhões. O Comex mostra a origem declarada, não o caminho percorrido.

Origem da soja e outras oleaginosas exportadas por São Luís em 2025 (milhões de toneladas)

  1. Maranhão5,0 mi t
  2. Tocantins3,6 mi t
  3. Mato Grosso2,3 mi t
  4. Piauí2,3 mi t
  5. Pará1,4 mi t
  6. Bahia1,1 mi t

Fonte: MDIC, Comex Stat

O que o estado retém diretamente é a operação do porto. A Carta Anual da EMAP, sobre o exercício de 2024, registra lucro líquido de R$ 85,2 milhões da estatal (valor da época). A empresa diz que os negócios do porto geram "bilhões por ano" em impostos e muitos empregos na sua área de influência, que vai do Maranhão a Mato Grosso, sem detalhar valores. Não conseguimos medir esse efeito.

O que vem a seguir

A EMAP prevê inaugurar em dezembro de 2026 o Berço 98, com 380 metros de comprimento e até 18 de profundidade. O investimento estimado é de R$ 400 milhões (previsão, não gasto realizado). Segundo a empresa, o berço soma mais de 8 milhões de toneladas por ano de capacidade e cerca de 20% ao faturamento anual. A Carta Anual lista a obra entre os investimentos da própria EMAP. O Berço 97 está em estudo.

Nos arrendamentos, a Antaq marcou para 9 de dezembro de 2026, na B3, o leilão de uma área de 21,8 mil m² no Itaqui para fertilizantes, com contrato de 25 anos (Leilão nº 04/2026, código IQI16).

A resposta

Navios grandes vão a São Luís porque a baía tem canal fundo e porque o minério de Carajás e os grãos de vários estados chegam por ferrovia e rodovia. O de 400 mil toneladas é da Vale; 210 mil é o limite do maior berço do Itaqui. O que fica no Maranhão é menos do que a tonelagem sugere: cerca de 6% das toneladas exportadas por São Luís têm origem no estado, e um terço da soja. Ficam a operação do porto público e as obras e arrendamentos em curso.

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Fontes

  1. ANTAQ, Desempenho Aquaviário 2025 (ranking das instalações portuárias; exportação de milho e soja), fev/2026
  2. ANTAQ, Boletim Estatístico Aquaviário, 3º trimestre de 2025 (principais portos organizados)
  3. EMAP, Porto do Itaqui, página Infraestrutura (canal de acesso e berços), consultada em 16/10/2026
  4. EMAP, Porto do Itaqui, página Histórico (recorde de 2025, Berço 98), consultada em 16/10/2026
  5. EMAP, Histórico de movimentação de cargas, 2001 a 2025
  6. EMAP, Manual do Porto do Itaqui, 2025 (berços, marés, terminais vizinhos)
  7. EMAP, Carta Anual de Políticas Públicas e Governança Corporativa 2025, exercício de 2024
  8. EMAP, notícia "Porto do Itaqui conclui a construção das fundações do Berço 98", 14/10/2026
  9. MDIC, Comex Stat, exportações de 2025 por unidade da Receita (IRF São Luís), UF de origem e capítulo
  10. ANTAQ, Edital do Leilão nº 04/2026 (IQI16), terminal de fertilizantes no Porto de Itaqui
  11. Agência iNFRA, "Falta de calado no Porto de Santos preocupa e navegação alerta para colapso", 04/06/2025

Imagens

  • Pórtico de entrada do Porto do Itaqui, em São Luís (MA), em 2007 · Luiz Felipe Sousa Oliveira (LF50) / Wikimedia Commons, domínio público
  • Marcos Soares / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0
  • Gaudêncio Rodrigues da Cunha / Wikimedia Commons, domínio público
  • marcusrg / Wikimedia Commons, CC BY 2.0
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